sábado, 12 de janeiro de 2008

X Marks The Spot (3)


Nicole sempre tinha tido uma grande dificuldade em separar-se das coisas. No seu quarto existia uma colecção sem fim de objectos, objectos esses que tinham sempre uma memória associada. Havia a sua primeira boneca, as velas mordidas que tinham ardido no bolo do seu décimo oitavo aniversário, os bilhetes daquela ida ao jardim zoológico, o bocado de tecido que se tinha rasgado do seu vestido quando fora ao parque com o seu primeiro namorado, uma miniatura do seu primeiro carro... e por aí fora. Nos últimos anos, aquela mania de guardar objectos-memória tinha tomado uma nova dimensão. Nicole guardava uma pilha de caixas no armário, cada uma com objectos ligados a uma determinada pessoa ou a uma determinada situação. Quando estava em dia de nostalgia, abria o armário e começava a explorar as caixas, trazendo à memória todas as situações pelas quais tinha passado e revivendo sentimentos.

Ora acontece que havia uma caixa que ultimamente a perturbava bastante: a caixa do Bob. Bob fora o seu último grande amor, que saíra da sua vida sem qualquer explicação lógica aparente. Não tinha saído para comprar cigarros e desaparecido, não, mas a situação podia assemelhar-se a essa. Bob tinha simplesmente decidido que era altura de mudar de vida, e de um dia para o outro pôs termo a tudo, cortou amarras e partiu. Aquela caixa tinha-se tornado então num conjunto de memórias extremamente dolorosas. Só de olhar para ela, conseguia ver o seu conteúdo, como se tivesse visão de raios-X, e todas as memórias ficavam a pairar na sua cabeça.

Naquele dia à noite, Nicole decidiu que tinha que se livrar da caixa. Bem pensado, bem feito, Nicole abriu o armário, pegou na caixa de cartão azul, vestiu o fato de treino e saiu porta fora.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

X Marks The Spot (2)

Estava Robert naqueles pensamentos quando viu uma luz deambulando pelo andar de cima da velha casa. A luz oscilava e movimentava-se. Robert encolheu-se por trás dos cortinados como se tivesse receio de ser subitamente iluminado também. Depois saiu dali e começou a andar às voltas pelo quarto, sem saber bem o que fazer. Cedo se revelou que dar voltas num quarto às escuras era uma actividade perigosa, principalmente num quarto como o dele, cheio de material espalhado por todos os lados. Robert deu inadvertidamente um pontapé numa pilha de revistas de filatelia que tinha ao lado da secretária, revistas essas que se espalharam pelo chão e foram por sua vez fazer tombar o tripé com a máquina fotográfica. Ahhh!! Robert soltou um grito em voz alta e tacteou à procura do candeeiro. Bolas! Acendeu a luz, subitamente esquecido do que se passava na casa da frente e começou por apanhar a máquina fotográfica, que felizmente ainda estava agarrada ao tripé. Ufa! Que alívio... só um pequeno arranhãozito...

O segundo estrondo da noite, ou melhor, o terceiro, depois da queda da máquina, fez-se ouvir lá em baixo na rua.

Robert apagou a luz outra vez e correu para a janela, repetindo o ritual dos cortinados. Desta vez viu um vulto, uma figura esguia, seguramente feminina, que se afastava pela rua abaixo. Chegada perto da zona da rua já iluminada, Robert viu a rapariga puxar um capuz para a cabeça e começar a correr, em passo de jogging.

X Marks The Spot (1)


Era já madrugada quando finalmente Robert DePina conseguiu adormecer. O dia anterior tinha sido muito cansativo e a noite, essa, tinha sido longa. Finalmente conseguira por termo ao mistério, mas os acontecimentos recentes haviam surtido nele um efeito de excitação que se podia equiparar à toma de vários cafés seguidos. E logo nele, que tinha aversão à cafeína e a tudo o que significava sair da sua segura e pacata rotina.

Tudo havia começado dias atrás, quando Robert estava pachorrentamente de volta da sua colecção de selos, a observar com a lupa os detalhes de um selo que tinha a imagem de um beija-flor. Foi nesta altura que um estrondo na rua o acordou da espécie de transe em que sempre ficava quando organizava a sua colecção.
Caramba, quem faria aquela barulheira na rua, àquelas horas da noite?! Robert levantou-se, apagou o candeeiro e aproximou-se da janela, afastando discretamente as cortinas para que pudesse espreitar sem ser visto.

Na escuridão da noite e com dois candeeiros de rua recentemente avariados, pouco se conseguia distinguir naquela zona, mas como a lua estava quase cheia, Robert conseguiu perceber a porta entreaberta da velha casa abandonada que ficava mesmo em frente da sua. O estrondo vinha concerteza dali. Afinal aquela porta estava trancada há muito e tinha um aspecto bastante sólido. Arrombá-la não devia ser fácil. Um frémito nervoso percorreu o corpo de Robert. Que se passaria? Quem seria que entrava naquela casa, abandonada há tanto, ainda por cima àquela hora?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Mais um post sobre filmes: um top pessoal

É muito difícil para mim organizar um top de filmes favoritos e tenho a sensação que depois de o elaborar e de o postar, me vou lembrar de algum filme que de certeza lá deveria figurar. De qualquer forma, há filmes que nos marcam por razões várias e que portanto ficam a fazer parte da nossa lista de favoritos. O que a seguir apresento é mesmo isso: um top pessoal de favoritos, que atende a critérios obviamente subjectivos. Reduzir a lista a 10 é mesmo uma coisa atroz, e ordená-la então, está fora de questão, portanto, vou optar pela ordem crescente do ano correspondente ao filme e, dentro do mesmo ano, pela ordem da data de estreia do mesmo.


2001: A Space Odyssey (1968), de Stanley Kubrick

The Godfather (1972), de Francis Ford Coppola

Blade Runner (1982), de Ridley Scott

Blue Velvet (1986), de David Lynch

Sex, Lies and Videotape (1989), de Steven Soderbergh

Pulp Fiction (1994), de Quentin Tarantino

Trainspotting (1996), de Danny Boyle

The Matrix (1999), de Andy e Larry Wachowski

Eyes Wide Shut (1999), de Stanley Kubrick

Fight Club (1999), de David Fincher

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Neo & Morpheus



Uma das cenas mais famosas do Matrix. Adoro este filme por razões várias, mas acho que nesta cena, a moral da história é mesmo: "Don't think you are, know you are." Grande Morpheus, é um mestre. E o Neo é um grande aprendiz. He's The One...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Dias complicados


Teve um dia cheio?
Complicado?
Trabalhou cerca de 12 horas?
Tem fome?
Vai uma saladinha de tomate?
E que tal com um bocado de dedo?

domingo, 6 de janeiro de 2008

Sobre os vampiros no cinema

Não sendo especialista em filmes e muito menos em filmes de vampiros, devo no entanto admitir que estas criaturas exercem sobre mim um grande fascínio quando surgem na grande tela. Dou comigo a pensar na causa deste fascínio pelas vampirescas criaturas. A questão da imortalidade parece passar-me completamente ao lado. Na realidade, o que mais me atrai ali são todas aquelas capacidades físicas extraordinárias. Os fulanos(as), para além de voarem, são rapidíssimos, ágeis, têm uma força brutal e esteticamente têm o seu quê de beleza naquela brancura alva e feições imaculadas. Claro que, nisto da beleza das feições, já não são tão bonitinhos quando estão na sua faceta criatura-monstruosa-tipo-morcegão-com-asas-e-cara-enrugada, mas no entanto, até assim têm algum encanto. Além do mais, os tipos assumem poses muito sensuais no seu ritual alimentício.

De todos os filmes de vampiros que vi até hoje, o meu favorito é sem dúvida o Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola. Lembro-me de várias pessoas terem abandonado a sala durante a projecção quando fui ver o filme ao cinema, possivelmente impressionadas com tanto sangue jorrante. Aquilo realmente é um grande banho de sangue, mas é um banho de sangue com uma estética sublime e uma música lindíssima. E acho que, na sua essência, o filme é uma bela história de amor.


E pronto, sobre outros filmes de vampiros terei que falar mais tarde, porque o tempo está a esgotar-se. Até mais logo. Vou ali beber um Bloody Mary, que agora fiquei com sede.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Blonde Redhead: Silently

A minha última tara musical... Audição garantida (pelo menos por hoje) no meu player aqui mais à direita na página. Press play.

Silently

Silently, I wish to sail into your port, I am your sailor
Quietly, I drop my weight into your sea, I drop my anchor
I sway in your waves, I sing in your sleep
I stay till I'm in your life

I realize now you're not to be blamed my love
You didn't choose your name my love
You never crossed the seven seas
I realize now you're not to be blamed my love
You didn't choose your name my love
You never crossed the seven seas

Oh, sweet creature
I know exactly how you feel
Your clock is ticking, tick tack tick tack
Your heart is beating tum tum tum tum tum

Silently, I wish to sail into your port, I am your sailor
Quietly, I drop my weight into your sea, I drop my anchor

I realize now you're not to be blamed at all
You didn't choose your name my love
You die a little in my arm
I realize now you're not to be blamed at all
You didn't choose your name my love
We never crossed the seven seas
I realize now you die a little in my arm
Before you even taste my love
We never crossed the seven seas
I realize now you're not to be blamed at all
You didn't choose your name my love
You die a little in my arm
I realize now

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

A Bússola Dourada


Mais:

A poeira dourada (mistério...)
Os daemons e as mudanças de forma do daemon da Lyra (a propósito, façam o teste e descubram o vosso daemon... vejam o link do site mais abaixo)
O aletiómetro (giro, eu também queria um!)
A voz do urso Iorek Byrnison (Ian McKellen)
A música que acompanha os créditos finais do filme (Kate Bush regressa!)
As aterragens da feiticeira Serafina Pekkala (uau, que estilo!)

Menos:

A Lyra a montar o urso (eu sei que aquilo dá uma trabalheira a fazer, mas a movimentação não está suficientemente aperfeiçoada ainda...)
O facto do Lord Asriel aparecer tão pouco (hehehe)
As descolagens da feiticeira Serafina Pekkala (têm o seu quê de superman, desculpem lá...)

E pronto, vão ver o filme se ainda não viram, porque acho que vale mesmo a pena. Mas preparem-se, porque tem sequela.

E explorem o site oficial, que também é muito engraçado.