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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

What's this???

Aqui fica um desejo de Bom Natal a todos os cibernautas, em particular aos frequentadores mais assíduos deste cantinho.

O clip é retirado do filme realizado por Henry Selick, Nightmare Before Christmas, com base numa adaptação da história de Tim Burton. Neste excerto, um maravilhado Jack descobre Christmas Town.

Fantasias de Natal

Aproximei-me da porta do hotel e logo ela se abriu. O porteiro, muito aprumado, sorriu-me e cumprimentou-me enquanto eu passava. Retribuí o sorriso e perguntei onde era o bar.
- Suba ao nono piso e siga para a sua esquerda até ao fundo do corredor - apontou o elevador com a mão direita, enquanto a esquerda ainda segurava a porta.
- Obrigada - retorqui.
Dirigi-me para o elevador, cuja porta estava a ser impedida de se fechar por um jovem de cabelos compridos, que segurava com as duas mãos um caixote e colocava o pé junto à célula fotoeléctrica. Apressei o passo.
- Faça o favor - disse ele.
Sorri timidamente e passei, murmurando um agradecimento e deitando um olhar curioso para o caixote, que estava aberto. No seu interior estavam objectos de formas arredondadas, cobertos por papel de alumínio. Ele esperou que eu passasse e depois entrou também, colocando-se em frente ao painel com os botões.
- Não precisava de se apressar... - olhou para mim e abriu um sorriso luminoso - para que andar vai?
- Nono - disse eu, sorrindo abertamente também. A expressão do rapaz era calorosa. Continuou a fitar-me, bem disposto, após carregar no botão. As portas fecharam-se e o elevador iniciou a sua viagem ascendente. Olhei para o chão, tentando dar um ar casual ao meu acto, como se estivesse a observar se estava tudo bem com os meus sapatos. Não consegui aguentar muito tempo aquele fitar intenso. Passado um pouco, levantei o olhar. Continuava a observar-me, agora com um ar inquisidor. Observei melhor as suas feições. Tinha uma face angular, um cabelo comprido e brilhante, preso num rabo de cavalo e uns olhos castanhos e grandes. Senti que não tardava a dirigir-me a palavra.
- Vai para a festa?
- Sim, na verdade já estou um pouco atrasada... também vai? - Atrevi-me.
Agora o seu sorriso era ainda mais rasgado.
- Oh, vou apenas entregar uma encomenda.
Foi nessa altura que o elevador parou e as luzes se apagaram. Do exterior e ao longe ouviram-se exclamações de surpresa. Acendeu-se uma ténue luz de emergência dentro do elevador.
- Falha na electricidade. Tem acontecido muito aqui ultimamente, - explicou o rapaz - acho melhor sentar-se, isto ainda vai demorar. Acho que estamos entre dois andares.
- Bolas! - disse eu.
Ele sentou-se e eu resolvi imitá-lo. Cada um encostado à sua parede, olhávamos agora para a cara um do outro, como se tentássemos decorar as respectivas feições. Ele tinha pousado o caixote no chão do elevador.
- Que traz no caixote? - perguntei, sem medo da possível indiscrição.
- Limas, - levantou o papel prateado - para as caipirinhas. - Voltou a sorrir.
Os cantos dos meus lábios viraram-se para cima, num movimento involuntário. Estava divertida com aquilo tudo. Fechada no elevador, com um completo estranho, que no entanto parecia já conhecer há muito tempo.

Passaram uns minutos e a electricidade continuava sem voltar. Pelo menos aquela electricidade que fazia os elevadores andarem e as luzes acenderem. Dentro do elevador parecia haver faíscas. O silêncio não era de todo desconfortável e a estadia entre dois andares também não. Pelo menos naquela companhia.

Ainda hoje não sei o nome do rapaz de cabelos compridos que transportava um caixote cheio de limas para a festa no nono andar. Apenas me lembro do seu sorriso luminoso, do calor dos seus lábios e do seu beijo doce e intenso. Quando a luz voltou e o elevador retomou a sua marcha, olhámo-nos mais uma vez durante algum tempo. As portas abriram-se e eu saí, dirigindo-me para a festa sem olhar para trás.